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A meritocracia é diretamente proporcional ao número de oportunidades

Uma das coisas que não sei identificar ainda como absorvi ou aprendi a ser é o tal espírito competitivo que tenho desde o tempo ao qual posso lembrar da minha infância, não sei se influenciado ou não carrego isso comigo. Umas das lições mais importantes que aprendi no caminho foi aprender a perder, digerir para poder vencer depois. Ao ponto de não chamar de derrota, mas sim de lições aprendidas.


E no meio disso, qual ao fim de 2022, me dei conta que eu acabara de ter uma leitura que ainda não tinha feito a respeito da minha vida até aqui. Destruí algo que eu replicava e contava alegre e feliz e com isso talvez eu tenha motivado algumas pessoas, algumas vidas e quem sabe ainda ajudado nas mudanças de algumas.


Tal fato se volta ao ponto de até então eu acreditar que pessoas com origens diferentes poderiam chegar o mesmo pé de igualdade e conquistar as mesmas coisas da vida, dependendo única exclusivamente do tamanho da energia que cada uma delas está disposto a apostar. Podemos resumir como meritocracia.


Conversando com algumas pessoas, vi que meu esforço foi dolorido, e renunciei coisas a mais que alguns ao meu redor, ou eu, ou algum familiar. Lembro me que enquanto alguns faziam inglês desde os 12 anos eu mal sabia o infame "Verbo To Be", outros enquanto viajavam e armazenavam experiências eu passava meus finais de semana engolindo alguns livros que sofri para entender a matéria na escola.


Deixei de ir a festas familiares, churrascos e outras confraternizações, pois precisava da internet do final de semana para estudar ou terminar um trabalho e quando não fazia aos finais de semana, precisava ficar acordado até a 00h para consumir apenas 1 pulso, arriscando perder a hora, pois às 05h45 eu precisava estar atento para acordar com o despertador.

Enquanto isso, alguns vizinhos ou colegas tinha internet rápida em casa e poderiam fazer isso em horário mais adequado. Outros já tinham MP3 ou algum tocador que era possível ter o resumo da matéria para ouvir, ou poderiam comprar os livros da lista do vestibular enquanto eu esperava minha fila na biblioteca e tinha 1 semana para lê-lo antes da devolução. Ou ainda arriscar na impressão de resumos prontos na internet organizando minhas cotas de folhas que eu poderia imprimir por mês na escola (uma vantagem que naquela época eu tinha em relação à escola pública).



Sim, estudei em um colégio, com bolsa de 100%. Aqui a vantagem competitiva que me deu largos passos em relação aos demais adolescentes do meu bairro. Tive acesso à biblioteca, ensino integral, alimentação, transporte, conheci museus, criei projetos, desenvolvi uma habilidade criativa, pensamento crítico, acesso a ótimos professores, câmera digital em 2002 que salvava no disquete a foto [que revolução para a época] viajei pela escola e tive uma forma de gala. Com 100% de investimento pela Embraer.


Eu era um adolescente, e não tinha ideia ainda o quanto aquilo iria mudar minha vida. Apesar de tudo, eu ainda era um dos piores no meu novo meio. Eu chegava em casa chorando às vezes ou no caminho de volta por todos à minha volta falarem inglês e eu sempre errar o passado de verbos irregulares. Alguns colegas conseguiam tirar 11 nas provas de matemática (graças a questão desafio de um ponto adicional). Eles conseguiam terminar o ano sobrando pontos, enquanto eu cheguei perto do 09 poucas vezes.


Eu estava a frente de muitos, mas atrás de poucos.


O que eu quero compartilhar com tudo isso? Contei tudo isso para compartilhar como que nós demonstraríamos a construção de uma fórmula matemática, baseada em fatores sociais de desenvolvimento. E que pode ser resumida pela seguinte frase:


"A meritocracia é diretamente proporcional ao número de oportunidades de patamares semelhantes ou superior aos concorrentes do seu meio".

Dito isso, o ambiente é competitivo e meritocrático de verdade se todos têm acesso às mesmas oportunidades. As ferramentas e opções do meio fazem com que o individuo possa maturar ou desenvolver habilidades ao qual não sabia que o tinha. Não saí do Ensino Médio falando inglês, mal escrevia uma sentença certa. Mas passei em mais de um lugar no temido vestibular.


Não vou me alongar, apenas lhe convidar para refletir.

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